:. Componentes da Placa Mãe
Independentemente de seu formato ou modelo, encontramos basicamente sempre os mesmos componentes numa placa mãe. Temos: Slots ISA, PCI e AGP para o encaixe de placas de vídeo, de som, modems e outros periféricos; soquetes para o encaixe de módulos de memória e também do processador; portas seriais e paralelas, controladora de drives de disquetes, interfaces IDE, conectores para o teclado e fonte de alimentação, portas USB, reguladores de tensão e, é claro, o BIOS e o Chipset.
:. Chipset
Seguramente o chipset é o componente mais importante da placa mãe, pois é ele quem comanda todo o fluxo de dados entre o processador, as memórias e os demais componentes. Os barramentos ISA, PCI e AGP, assim como as interfaces IDE, portas paralelas e seriais, além da memória RAM e do cache, são todos controlados pelo chipset.
O chipset é composto internamente de vários outros pequenos chips, um para cada função que ele executa. Temos um chip controlador das interfaces IDE, outro controlador das memórias, etc. Daí o nome Chipset, ou "conjunto de chips". Existem vários modelos de chipsets. Nas placas para processadores Pentium III por exemplo, temos uma predominância dos chipsets i440BX, Via Apollo Pro 133, i810 e i815.
O Chipset também determina quais as frequências de barramento a placa mãe irá suportar, e consequentemente, quais processadores poderão ser usados. As placas mãe para Pentium II equipadas com o chipset LX por exemplo, são capazes de funcionar a apenas 66 MHz, suportando apenas o Pentium II de até 333 MHz e o Celeron. Placas equipadas com o Chipset BX já suportam barramento de 100 MHz, podendo suportar todos os processadores Pentium II, além do Celeron e do Pentium III.
Quando for adquirir uma placa mãe, procure saber qual é o chipset utilizado, e quais processadores ela suporta.
:. BIOS
BIOS significa “Basic Input Output System”, ou, em Português, “sistema básico de entrada e saída”. O BIOS é a primeira camada de software do sistema, a mais intimamente ligada ao hardware, e é encarregado de reconhecer os componentes de hardware instalados, dar o boot, e prover informações básicas para o funcionamento do micro.
O BIOS é gravado em um pequeno chip instalado na placa mãe. Cada modelo de BIOS é personalizado para um modelo específico de placa, não funcionando em nenhum outro. Assim como o cartão de crédito e a escova de dentes, o BIOS é “pessoal e intransferível”.
Muitos dos recursos do BIOS podem ser configurados. Para facilitar esta tarefa, utilizamos mais um pequeno programa, chamado Setup. Para entrar no Setup, basta pressionar a tecla DEL durante a contagem de memória.
Quando inicializamos o sistema, o BIOS conta a memória disponível, identifica dispositivos plug-and-play instalados no micro e realiza uma checagem geral dos componentes instalados. Este procedimento é chamado de POST (Power-on Self Test) e se destina a verificar se existe algo de errado com algum componente, além de verificar se foi instalado algum dispositivo novo. Somente após o POST, o BIOS entrega o controle do micro ao Sistema Operacional. Surge então a mensagem: “Iniciando o Windows 98”, ou qualquer outra, dependendo do sistema operacional instalado.
:. Cache L2
O cache começou a ser utilizado apartir dos micros 386. Inicialmente o cache fazia parte da placa mãe, sendo formado por alguns chips soldados a ela. Apartir do 486, tivemos uma pequena quantidade de cache integrada ao próprio núcleo do processador, mas, continuamos usando cache na placa mãe. Tivemos então a distinção entre o cache L1 integrado ao processador e o cache L2 que fazia parte da placa mãe.
Com o avanço das técnicas de produção, os processadores passaram a utilizar multiplicadores cada vez maiores, fazendo com que o cache L2 integrado à placa mãe fosse tornando-se cada vez mais ineficiente, já que ele trabalhava a 66 ou a 100 MHz, na mesma frequência da placa mãe, enquanto o processador operava a uma frequência muito maior.
Tivemos então a segunda mudança da história do cache: integrar também o cache L2 ao processador, o que permite manter o cache funcionando sempre à metade da frequência do processador (como no Pentium II) ou mesmo integrar cache capaz de acompanhar a frequência do processador (como no Celeron com cache ou no Pentium III Coppermine).
Como já temos cache em quantidade e velocidade suficiente integrado ao processador, não é mais preciso integra-lo à placa mãe. Com excessão das placas mãe soquete 7, usadas em conjunto com o K6-2, K6-3 e processadores soquete 7 antigos, nenhum modelo de placa mãe vendido atualmente traz cache L2.
Porém, a dois ou três anos atrás, na época dos Pentium MMX’s e K6’s o cenário era bem diferente. Ninguém pensava e comprar uma placa mãe que não trouxesse pelo menos 512 KB de cache L2.
Algumas placas mãe um pouco mais antigas, não vêm com cache algum, trazendo em seu lugar, um encaixe para um módulo COAST (Cache On a Stick). Neste caso, o módulo de memória cache deve ser adquirido separadamente. Os módulos COAST são difíceis de encontrar e razoavelmente caros. Um módulo de 512 KB, por exemplo, custa entre 30 e 40 reais.
Apesar de não serem mais fabricadas placas mãe com soquetes para módulos COAST, é bem possível que você se depare com uma ao mexer em um micro um pouco mais antigo.
Existem também, casos de placas mãe com chips falsos de cache. Ao invés de módulos de memória cache, temos soldados na placa mãe encapsulamentos ocos, com a inscrição “Write Back” em baixo relevo. Durante o POST, o suposto cache é também identificado como “Write Back”, apesar de não existir cache algum.
ste tipo de golpe foi muito utilizado em placas mãe mais baratas, principalmente as fabricadas entre 94 e 97. Para reconhecer uma placa mãe deste tipo, basta verificar se existe a inscrição “Write Back” estampada nos módulos de cache ou se o cache é identificado como “Write Back” na tela de relatório do POST.
Encaixe para o processador
A partir dos micros 486, foi criado um novo tipo de encaixe para o processador, chamado de ZIF (“Zero Inserction Force” ou força de inserção zero). Nestes encaixes, basta levantar a alavanca que fica ao lado, para podermos encaixar suavemente o processador, e baixá-la para que ele fique firmemente preso.
Existem variações do soquete ZIF, que vão do soquete 1 ao soquete 7. Uma boa forma de verificar quais processadores são suportados por uma placa mãe é simplesmente verificar qual é o soquete utilizado. Você encontrará esta informação estampada em baixo relevo no próprio soquete.
:. Entendendo a evolução dos encaixes
Uma grande diferença entre os processadores que usávamos a alguns anos atras: o Pentium, MMX, K6, Cyrix 6x86 e até mesmo o K6-2 e os processadores mais recentes, é a grande variedade de encaixes e de padrões de placas mãe. Praticamente todos os processadores anteriores, que já citei, podiam ser usados na maioria das placas mãe soquete 7 modernas. Isto facilitava muito a escolha, já que não era preciso se preocupar tanto em saber se a placa mãe seria ou não compatível com o processador, já que naquela época tínhamos compatibilidade com quase todos.
Atualmente, este problema vem tornando-se cada vez mais evidente. O Celeron, dependendo do modelo, pode vir tanto no formato SEPP (Slot 1) quanto no formato PPGA (Soquete 370). O Pentium III também possui duas variações, podendo ser encontrado em formato SEPP e FC-PGA (Soquete 370). As versões antigas do Athlon utilizam seu encaixe próprio, o Slot A, enquanto o Athlon Thunderbird, junto com o Duron, utilizam o Soquete A.
Tudo começou com o Soquete 7, usado em placas mães que suportam do Pentium ao K6-2. O soquete 7 é um encaixe quadrado, de 321 pinos. Assim como ainda é possível encontrar processadores K6-2 à venda, ainda é possível encontrar vários modelos de placas mãe soquete 7 à venda, que além do K6-2, suportam o K6-3 e processadores soquete 7 antigos, como o Pentium e o MMX, bastando configurar corretamente a placa mãe.
O próximo encaixe foi criado pela Intel, e batizado de Slot 1. O slot 1 tem um formato parecido com o encaixe de um cartucho de video game. O slot 1 equipa as placas mães para processadores Pentium II, Celeron e Pentium III.
A algum tempo atrás, a Intel resolveu mudar o encaixe dos seus processadores, passando do slot 1 para o Soquete 370, o encaixe usado por todos os processadores Intel produzidos atualmente. O soquete 370 é fisicamente parecido com o antigo soquete 7, porém possui uma linha de contatos a mais (370 contatos ao todo, daí seu nome). Os processadores Celeron e Pentium III PPGA ou FC-PGA (que usam o soquete 370) podem ser instalados em placas mães Slot 1 usando um adaptador. A vantagem do soquete 370 sobre o Slot 1 é o fato de ser um padrão mais barato, que permite baratear tanto as placas mãe quanto os processadores.
A AMD optou por criar seu próprio padrão, chamado Slot A. O slot A é fisicamente muito parecido com o slot 1 da Intel, a única diferença visível entre os dois é a diferente posição do pino central (que divide o slot em dois) que impede que algum desavisado tente encaixar um Athlon numa placa para Pentium II ou vice-versa, o que danificaria o processador.
O Slot A é usado pelos processadores Athlon antigos, mas não suporta os processadores Athlon Thunderbird e Duron, que usam um encaixe mais moderno, o Soquete A. Ao contrário dos processadores Intel, não existe nenhum adaptador Soquete A > Slot A.
A seguir vai uma lista com os processadores lançados em cada formato:
+
Soquete 7
:. Pentium e Pentium MMX
:. Cyrix 6x86, 6x86MX, 6x86MII, IDT C6
:. K6, K6-2 e K6-3
+
Slot 1
:.
Pentium II (todos)
:.
Celeron de 266 a 433 Mhz
:.
Pentium III 450, 500, 550 e 600.
As
placas mais modernas suportam também o Celeron de 500 Mhz em diante
assim como o Pentium III usando o adaptador.
+ Soquete 370
:.
Pentium III 500E, 550E, 600E e de 650 Mhz em diante
:.
Celeron 366 em diante
(os 366, 400 e 433 são
fabricados nos dois formatos, slot 1 e soquete 370)
:.
Não são suportados os processadores Slot 1, não existe adaptador.
+
Slot A
:. Athlons
antigos (com cache L2 externo), de 500 MHz a 1 GHz
+
Soquete A
:. Athlon
Thunderbird (com cache L2 embutido) de 700 MHz a 1.2 GHz
:. Duron
(todos)
:. Jumpers
Os jumpers são pequenas peças plásticas, internamente metalizadas para permitir a passagem de corrente elétrica, sendo encaixados em contatos metálicos encontrados na placa mãe ou em vários outros tipos de placas, funcionando com uma espécie de interruptor.
Alternativas na posição de encaixe dos jumpers, permitem programar vários recursos da placa mãe, como a voltagem, tipo e velocidade do processador e memória usados, além de outros recursos. Ao montarmos um micro, os jumpers da placa mãe devem ser corretamente configurados, caso contrário podemos até mesmo danificar alguns componentes.
Em geral você encontrará jumpers apenas em placas antigas, pois praticamente todas as placas atuais são Jumperless, ou seja, não possuem jumpers, sendo toda configuração feita diretamente pelo Setup.